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Justiça de São Paulo condena Record por danos morais em caso exibido no Cidade Alerta

A Record foi condenada pela Justiça de São Paulo a pagar R$ 50 mil por danos morais após a exibição de uma reportagem no programa "Cidade Alerta". A decisão envolve a cobertura de uma denúncia de abuso em uma creche de Itatiba (SP) e aponta falhas na abordagem jornalística adotada pela emissora.

Sede da Record relacionada à condenação judicial envolvendo reportagem exibida no Cidade Alerta.
Após decisão judicial, Record ainda pode recorrer de condenação por reportagem • Foto: Reprodução/Record TV

Justiça aponta falhas em reportagem exibida pela emissora

A condenação tem origem em uma reportagem veiculada em 2014 pelo programa "Cidade Alerta", que recebeu o título de “Creche do Terror: donos pedófilos”. Na ocasião, a atração exibiu imagens e identificou um casal investigado por supostos abusos em uma creche localizada na cidade de Itatiba, interior de São Paulo.

Segundo informações divulgadas pela coluna de Rogério Gentile, do UOL, a exposição ocorreu antes da conclusão das investigações sobre o caso, fator considerado relevante durante a análise judicial.

Filhas do casal relataram impactos após exibição

A ação foi movida pelas filhas do casal citado na reportagem. No processo, elas relataram uma série de consequências enfrentadas pela família após a exibição do conteúdo.

Entre os episódios mencionados estão ataques contra a residência da família, além do afastamento dos pais por questões de segurança. As autoras da ação sustentaram que a repercussão pública gerada pela reportagem provocou danos significativos à imagem e à vida pessoal dos envolvidos.

Decisão destaca caráter sensacionalista da cobertura

Ao analisar o caso, a Justiça entendeu que a abordagem utilizada pela emissora teve caráter sensacionalista. A sentença destacou que os fatos ainda estavam sob investigação quando os suspeitos foram expostos publicamente.

De acordo com os autos, os laudos produzidos durante a investigação não confirmaram os abusos denunciados inicialmente, elemento que também foi considerado no julgamento da ação por danos morais.

Record se manifesta e afirma defender liberdade de expressão

Em manifestação sobre o caso, a Record afirmou que a reportagem foi produzida com base em informações obtidas junto às autoridades policiais e familiares das supostas vítimas.

A emissora também ressaltou a importância da liberdade de expressão e do exercício da atividade jornalística. Apesar da condenação, a empresa ainda possui a possibilidade de recorrer da decisão nas instâncias superiores.

Caso pode gerar novos desdobramentos

A decisão volta a colocar em debate os limites da exposição de investigados em programas policiais de televisão. O caso também reforça discussões sobre responsabilidade editorial, presunção de inocência e possíveis impactos da cobertura midiática na vida de pessoas envolvidas em investigações ainda não concluídas.

Enquanto a Record avalia os próximos passos jurídicos, o processo continua repercutindo entre profissionais da comunicação e observadores do setor televisivo.

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