Brasília – O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) interrompeu nesta terça-feira (9) o julgamento sobre a suspensão de uma pesquisa da AtlasIntel envolvendo o senador Flávio Bolsonaro. Com pedido de vista da ministra Estela Aranha, a liminar que impede a divulgação do levantamento permanece em vigor.
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| Julgamento no TSE sobre pesquisa envolvendo Flávio Bolsonaro é interrompido • Foto: Geraldo Magela/Agência Senado/Sophia Santos/STF |
Julgamento é interrompido no TSE
A análise do caso foi suspensa após o pedido de vista apresentado pela ministra Estela Aranha. Com isso, o processo deixa temporariamente a pauta da Corte e a decisão liminar continua produzindo efeitos até que o julgamento seja retomado.
O caso é acompanhado por integrantes da Justiça Eleitoral e por partidos políticos devido aos possíveis reflexos sobre futuras decisões envolvendo pesquisas eleitorais, metodologia de levantamentos e alegações de influência sobre o eleitorado.
Entenda a decisão que suspendeu a pesquisa
A liminar foi concedida pelo ministro Kássio Nunes Marques após pedido apresentado pelo Partido Liberal. Na decisão, o magistrado apontou indícios de que a sequência de perguntas utilizada no questionário poderia influenciar respostas relacionadas à intenção de voto, rejeição e avaliação da imagem do pré-candidato.
Segundo o entendimento preliminar do ministro, a estrutura do levantamento poderia extrapolar a simples medição da opinião pública e gerar efeitos relevantes no ambiente eleitoral.
Questionamentos sobre o filme Dark Horse
O principal argumento apresentado pelo PL contra a pesquisa envolve a inclusão de referências ao áudio em que Flávio Bolsonaro menciona repasses destinados ao financiamento do filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na decisão liminar, Nunes Marques afirmou que a ordem das perguntas poderia introduzir estímulos capazes de influenciar as respostas dos entrevistados. O ministro também destacou que outras pesquisas registradas pela AtlasIntel junto ao TSE não adotaram metodologia semelhante.
Para o magistrado, a manutenção do levantamento em circulação poderia provocar efeitos de difícil reversão diante da ampla disseminação de conteúdos eleitorais em meios digitais e veículos de comunicação.
Defesa apresentada pela AtlasIntel
A AtlasIntel sustenta que não reproduziu o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro antes da aplicação do questionário principal. A empresa afirma que a metodologia utilizada segue critérios técnicos e nega ter induzido os entrevistados.
Em sua manifestação, a AtlasIntel também argumentou que pesquisas posteriores realizadas por outros institutos identificaram tendências semelhantes em relação à imagem e ao desempenho eleitoral do senador.
O que acontece agora
Com a interrupção do julgamento, o TSE ainda não definiu se confirmará ou revogará a decisão de Nunes Marques. O processo retornará à pauta após a devolução da vista pela ministra Estela Aranha.
Até uma nova deliberação da Corte, a pesquisa da AtlasIntel permanece proibida de ser divulgada, mantendo em aberto uma discussão que poderá influenciar futuros entendimentos da Justiça Eleitoral sobre levantamentos de opinião durante o período eleitoral.

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