70/recent/ticker-posts

Aladilce chama de "chantagem à Câmara" a ameaça do prefeito sobre aumento da tarifa de transporte

Vereadora critica ameaça de reajuste na tarifa caso subsídio não fosse aprovado e aponta falta de transparência no sistema de transporte, além de questionar a ausência de controle social em programas do Executivo.

Vereadora de Salvador critica gestão municipal durante votação de subsídio de R$ 80 milhões para o transporte público.
Aladilce acusa prefeitura de “chantagem” em debate sobre subsídio do transporte em Salvador • Foto: Lika Estrêla

Em sessão realizada na Câmara Municipal de Salvador nesta quarta-feira (17), a vereadora Aladilce Souza acusou a gestão do prefeito de adotar uma postura de “chantagem à Câmara” durante a discussão do projeto que autorizou um subsídio de R$ 80 milhões ao sistema de transporte coletivo. A medida, segundo a parlamentar, estaria associada à possibilidade de aumento da tarifa de ônibus de R$ 5,90 para R$ 6,40 caso o repasse não fosse aprovado. O debate ocorreu em meio à votação de propostas do Executivo e gerou críticas da oposição sobre transparência, controle social e critérios de políticas públicas.

CRÍTICAS AO SUBSÍDIO DO TRANSPORTE

Durante a discussão do projeto, a oposição afirmou que o processo de aprovação do subsídio ocorreu com baixa participação pública. Segundo a vereadora, apenas uma audiência foi realizada e sem a presença de representantes do Executivo para esclarecer dados técnicos ou justificar a necessidade dos recursos.

A parlamentar também questionou a falta de transparência sobre a planilha de custos do sistema de transporte e lembrou a existência de valores anteriores já autorizados para a mesma finalidade, sem prestação de contas considerada satisfatória pela oposição.

ACUSAÇÕES DE PRESSÃO POLÍTICA

O ponto central das críticas foi a declaração atribuída ao Executivo de que a tarifa poderia sofrer reajuste caso o subsídio não fosse aprovado. Para a oposição, a estratégia teria criado um ambiente de pressão sobre o Legislativo.

A vereadora afirmou que o tema foi conduzido sem abertura para debate técnico amplo e com restrição de informações consideradas essenciais para a tomada de decisão dos parlamentares.

PROGRAMA VIDA NOVA SALVADOR SOB QUESTIONAMENTO

Outro eixo de divergência foi o programa Vida Nova Salvador, também aprovado na mesma sessão. A oposição votou contra a proposta, alegando ausência de critérios claros para seleção dos beneficiários e falta de mecanismos de controle social.

Segundo as críticas apresentadas, a gestão do programa ficaria concentrada em decisões internas do Executivo, sem participação de conselhos ou instâncias externas de fiscalização.

A vereadora também apontou a existência de dispositivos considerados “não relacionados” ao objetivo principal do projeto, que poderiam gerar benefícios fiscais a empresas que participassem de ações de divulgação do programa.

CONSELHO DA MULHER E APOIO DA OPOSIÇÃO

Em contraste com os demais temas, a oposição apoiou a recomposição do Conselho Municipal da Mulher. O colegiado estava inativo há cerca de uma década e teve sua reestruturação aprovada com a incorporação de emendas sugeridas por entidades da área de enfrentamento à violência contra a mulher.

O caso foi citado como exemplo de convergência entre governo e oposição quando há maior diálogo institucional e participação de organizações sociais.

CONTEXTO POLÍTICO DA VOTAÇÃO

A sessão também aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e ajustes em normas relacionadas à Procuradoria do Município. Apesar disso, o ambiente foi marcado por divergências em torno de transparência administrativa e modelo de gestão de políticas públicas.

A oposição afirmou que continuará cobrando maior detalhamento técnico sobre subsídios e programas sociais, além de reforçar a necessidade de participação de conselhos municipais em decisões estratégicas.

IMPACTOS

No campo político, o episódio amplia o desgaste entre base governista e oposição na Câmara Municipal, especialmente em temas ligados ao transporte público.

Na esfera administrativa, a discussão reacende o debate sobre transparência de custos do sistema de ônibus e a forma de definição de subsídios públicos.

Socialmente, a controvérsia pode impactar a percepção da população sobre possíveis reajustes tarifários e sobre a eficiência da gestão do transporte coletivo.

DESDOBRAMENTOS

A tendência é que o tema do subsídio volte a ser discutido em novas audiências e reuniões técnicas, com pressão por maior abertura de dados.

Também devem ocorrer novos embates legislativos envolvendo o programa Vida Nova Salvador e a regulamentação de mecanismos de controle social.

Leia também

Postar um comentário

0 Comentários