Vereadora critica ameaça de reajuste na tarifa caso subsídio não fosse aprovado e aponta falta de transparência no sistema de transporte, além de questionar a ausência de controle social em programas do Executivo.
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| Aladilce acusa prefeitura de “chantagem” em debate sobre subsídio do transporte em Salvador • Foto: Lika Estrêla |
Em sessão realizada na Câmara Municipal de Salvador nesta quarta-feira (17), a vereadora Aladilce Souza acusou a gestão do prefeito de adotar uma postura de “chantagem à Câmara” durante a discussão do projeto que autorizou um subsídio de R$ 80 milhões ao sistema de transporte coletivo. A medida, segundo a parlamentar, estaria associada à possibilidade de aumento da tarifa de ônibus de R$ 5,90 para R$ 6,40 caso o repasse não fosse aprovado. O debate ocorreu em meio à votação de propostas do Executivo e gerou críticas da oposição sobre transparência, controle social e critérios de políticas públicas.
CRÍTICAS AO SUBSÍDIO DO TRANSPORTE
Durante a discussão do projeto, a oposição afirmou que o processo de aprovação do subsídio ocorreu com baixa participação pública. Segundo a vereadora, apenas uma audiência foi realizada e sem a presença de representantes do Executivo para esclarecer dados técnicos ou justificar a necessidade dos recursos.
A parlamentar também questionou a falta de transparência sobre a planilha de custos do sistema de transporte e lembrou a existência de valores anteriores já autorizados para a mesma finalidade, sem prestação de contas considerada satisfatória pela oposição.
ACUSAÇÕES DE PRESSÃO POLÍTICA
O ponto central das críticas foi a declaração atribuída ao Executivo de que a tarifa poderia sofrer reajuste caso o subsídio não fosse aprovado. Para a oposição, a estratégia teria criado um ambiente de pressão sobre o Legislativo.
A vereadora afirmou que o tema foi conduzido sem abertura para debate técnico amplo e com restrição de informações consideradas essenciais para a tomada de decisão dos parlamentares.
PROGRAMA VIDA NOVA SALVADOR SOB QUESTIONAMENTO
Outro eixo de divergência foi o programa Vida Nova Salvador, também aprovado na mesma sessão. A oposição votou contra a proposta, alegando ausência de critérios claros para seleção dos beneficiários e falta de mecanismos de controle social.
Segundo as críticas apresentadas, a gestão do programa ficaria concentrada em decisões internas do Executivo, sem participação de conselhos ou instâncias externas de fiscalização.
A vereadora também apontou a existência de dispositivos considerados “não relacionados” ao objetivo principal do projeto, que poderiam gerar benefícios fiscais a empresas que participassem de ações de divulgação do programa.
CONSELHO DA MULHER E APOIO DA OPOSIÇÃO
Em contraste com os demais temas, a oposição apoiou a recomposição do Conselho Municipal da Mulher. O colegiado estava inativo há cerca de uma década e teve sua reestruturação aprovada com a incorporação de emendas sugeridas por entidades da área de enfrentamento à violência contra a mulher.
O caso foi citado como exemplo de convergência entre governo e oposição quando há maior diálogo institucional e participação de organizações sociais.
CONTEXTO POLÍTICO DA VOTAÇÃO
A sessão também aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e ajustes em normas relacionadas à Procuradoria do Município. Apesar disso, o ambiente foi marcado por divergências em torno de transparência administrativa e modelo de gestão de políticas públicas.
A oposição afirmou que continuará cobrando maior detalhamento técnico sobre subsídios e programas sociais, além de reforçar a necessidade de participação de conselhos municipais em decisões estratégicas.
IMPACTOS
No campo político, o episódio amplia o desgaste entre base governista e oposição na Câmara Municipal, especialmente em temas ligados ao transporte público.
Na esfera administrativa, a discussão reacende o debate sobre transparência de custos do sistema de ônibus e a forma de definição de subsídios públicos.
Socialmente, a controvérsia pode impactar a percepção da população sobre possíveis reajustes tarifários e sobre a eficiência da gestão do transporte coletivo.
DESDOBRAMENTOS
A tendência é que o tema do subsídio volte a ser discutido em novas audiências e reuniões técnicas, com pressão por maior abertura de dados.
Também devem ocorrer novos embates legislativos envolvendo o programa Vida Nova Salvador e a regulamentação de mecanismos de controle social.

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